quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O RIO

Chove forte, muitas ruas alagadas, ninguem vai, ninguem vem, veículos param, muitos vão ver seu nível e ele lá sinuoso, serpenteando entre as margens, levando tudo que estiver no seu caminho, mostrando sua força, sua marca, dividindo a cidade, imponente e bonito de ver. Muitas pessoas se recordam do passado, da catástrofe destruidora e por isso se apavoram e vão ver a marca, debaixo de chuva forte.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O rio

Chove forte, muitas ruas alagadas, ninguem vai, ninguem vem, veículos param, muitos vão ver seu nível e ele lá sinuoso, serpenteando entre as margens, levando tudo que estiver no seu caminho, mostrando sua força, sua marca, dividindo a cidade, imponente e bonito de ver. Muitas pessoas se recordam do passado, da catástrofe destruidora e por isso se apavoram e vão ver a marca, debaixo de chuva forte.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

ELA

Guardiã do meu corpo
Dona não
Minha defensora
Juíza não
Minha cúmplice
Adversária não
Fiscal do meu patrimônio
Exploradora não
Sempre presente
Ausente não
Seu pagamento
Seu valor
É respeito
E amor

SOLIDÃO

Solidão alucina
Maltrata
Mata
Afunda o ser
Assassina

Solidão cega
O futuro leva
Dor atroz
Perde-se o grito
A voz

Solidão é vivo inferno
Perde a alma
A calma
Rodeado de fogo
Sem saída
Perder o jogo

MEDO

Tenho medo
Não sei o que é medo
Mas tenho medo
Porque tenho medo
De onde vem o medo
O que é o medo

Medo
Não pego
Não vejo
Mas sinto o medo
Da vinda
Da ida
Da vida

Medo da sorte
Medo da morte
Medo de escolher
Medo do ser
Medo de ver
Medo de viver

De morrer
Do ontem
Do homem
Do escuro
Do claro
Do futuro

Medo da mulher
Medo da amada
Medo do amigo
Do irmão
Do camarada

Medo
Medo
Medo

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

TEMPERO

Ando na cidade
Observo a sociedade
Inútil
Fútil
Sem saber do que gosta
Pensando bosta
Garçon zanzando
Caixa tilintando
Assuntos mil
Está nisso
O progresso do Brasil
Panorama cotidiano
Entra ano sai ano
Uns brochas
Outros a mil
Chico
Hoje eu não fico
Aritana
Volto no fim da semana
Amilton você me escuta
A noite é boa
Seus filas da puta
Cadê Juju...................................

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

PACHECO

Pacheco morreu.
Que vida atribulada Pacheco teve, seu moço.
Nasceu com sete meses de vida e sua mãe morreu no parto. O pai ninguém sabia quem era. Permaneceu na maternidade seis meses lutando pela vida até que se recuperou e uma das suas tias conseguiu a sua guarda, porém essa tia tinha conduta diferente, era homossexual e Pacheco viveu a infância e adolescência querendo entender, mas não ficou traumatizado com nada não moço, o cabra se sentia e era macho mesmo. Estudou até onde pode, não conseguiu concluir o fundamental. Tinha vontade de ser militar, mas foi reprovado na seleção por ter só um metro e sessenta de altura, estrábico e gago. Pacheco conseguiu alguns empregos, de ajudante de pedreiro, de padeiro, gari, plaqueiro e mais uma dezena de biscates, que em nada lhe davam uma vida financeira razoável.
Pacheco não conseguia namorar, nem ficar com moça nenhuma, elas passavam e riam dele, não riam para ele. Ele se realizava na zona do baixo meretrício, mas tinha uns probleminhas, pela fimose ele pagava mais caro do que os outros freqüentadores, pois no início do ato ficava gritando por nome de santos, que nem o Papa conhece, pela ejaculação precoce o cabra não aproveitava os seus momentos de prazer. O cafuzo já estava com 35 anos de idade e ia seguindo sua vida sem reclamar, morando numa tapera debaixo de um viaduto e comendo o que ganhava no dia. Apesar de tudo tinha dignidade, andava limpo, barbeado e penteado. Num domingo passeando a toa por uma avenida, cruzou com uma mulher e foi amor à primeira vista mesmo. Maria Ernestézia, uma morena com 1,80 cm, cabelos e olhos negros como o azeviche, boca carnuda, ventre liso, coxas e pernas roliças bem torneadas, seios médios e empinados, bunda bem feita, o que se podia afirmar, ali estava uma modelo para capa de revista masculina. Dona do seu próprio negócio em plena ascensão, casa e carro próprios, além de algumas propriedades na sua terra natal.
Ernestézia parou e se certificou que ali estava o homem dos seus sonhos, voltou e cumprimentou Pacheco, deram início a uma conversa e em dois meses foram parar na frente de um padre que celebrou o casamento. Diga-se de passagem, foi um casamento pomposo, champanhe importado da França, arremesso de pétalas de rosas do topo de dois prédios da cidade, até revoada de pombas que vieram da Itália, abrilhantaram o acontecimento. Agora estava o Pacheco dirigindo carro importado, participando de reuniões do conselho corporativo, vestindo terno de grife, cirurgia marcada para o estrabismo, a fimose, terapeuta e fonoaudiólogo. Na portaria era bom dia seu Pacheco, até amanhã seu Pacheco, seu Pacheco o senhor recebe o Dr. Fulano, enfim Pacheco estava comprometido, compromissado e envolvido no novo mundo.
Um ano depois da revoada das pombas, Pacheco chegou em casa a noite regressando de uma viagem internacional, onde conseguiu fechar alguns contratos e não viu o porteiro da sua mansão em serviço na guarita.
Entrou em casa como sempre pensando no erotismo, na safadeza, no sexo livre de preconceitos e tabus com sua sempre parceira Ernestésia, abriu a porta da suíte e viu o porteiro Januário sentado na sua cama. Caiu fulminado com um infarto.

PESCADOR

Pesco
Porque pesco
Gosto de pescar
Gosto de amar
O sol
O rio, o ar
O mar

Veleiro, jangada
Bote ou navio
Ou sentado na beira do rio
Gosto de pescar

Linha
Tarrafa ou rede
Com chuva com sol
Sem anzol
Com sede
Gosto de pescar
Gosto de amar
O sol
O rio, o ar
O mar

EPITÁFIO

GUERREIRO
INCANSÁVEL
LUTOU PELO
BEM, EM TODA SUA VIDA
E COM
RESOLUTA
TENACIDADE E
ORGANIZAÇÃO

JAMAIS ABATEU-SE
ORGULHO DO
SUCESSO E DA
ESPERANÇA

VITORIOSO
INTELIGENTE
LEAL E
EQUILIBRADO
LEMBRANÇAS FICARÃO
A TODOS

sábado, 1 de novembro de 2008

DEIXA

Deixa-me sentar
Sob a sombra do arvoredo
Deixa passar o tempo
O que é tarde ficou cedo

Deixa-me lembrar
Que esqueci do dissabor
Deixa-me gritar
O ódio hoje é amor

Deixa que as águas rolem
Sobre as pedras soltas
Deixa que as aves voem
Em bandos e revoltas

Deixa que a chuva caia
E molhe o andarilho
Deixa que a mãe chore
Com a partida do filho

Deixa que o vento sopre
E balance os galhos da vida
Deixa-me que veja tudo
Antes da despedida